30 de Outubro de 2020
Pandemia causou perda de quatro meses a alunos de países pobres

Veículo: 
ONU Brasil

A pandemia da COVID-19 afetou o ensino de crianças em países pobres mais que o de alunos em nações de alta renda. E um dos motivos foi o acesso a computadores e outros dispositivos de educação a distância. A média de perda escolar foi de quatro meses em países de rendas baixa e média e de um mês e meio para as economias de alta renda.  

A constatação é de um estudo conjunto do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e do Banco Mundial. O estudo é baseado em resultados de pesquisas sobre as respostas da educação nacional à crise global, realizadas em cerca de 150 países entre junho e outubro.

A análise considerou planos de reabertura das escolas, medidas de saúde e financiamento, assim como o tempo desperdiçado com o fechamento dos colégios, além do apoio a alunos, pais e professores. 

O chefe de educação do UNICEF, Robert Jenkins, comentou as disparidades de aprendizado entre alunos com acesso à tecnologia e aqueles sem recursos de educação a distância. Para ele, priorizar a reabertura de escolas e repor as aulas perdidas são fundamentais para melhorar a situação dos alunos após a crise da pandemia. 

O estudo do Banco Mundial e das agências da ONU baseou-se em conclusões de pesquisas nacionais sobre a resposta à COVID-19, realizada em quase 150 países entre junho e outubro.  

Desvantagens 

Alunos de países de rendas baixa e média foram menos propensos a acesso de ensino a distância, menos acompanhados na perda de aprendizado e são os que mais devem encarar atrasos na reabertura das escolas além de outras desvantagens.

A pesquisa também indica que mais de dois terços dos países analisados já retomaram as aulas presenciais, inteiramente ou parcialmente. E uma em quatro escolas ou perdeu a data de reabertura ou não têm previsão de retomada das aulas.  

A maioria desses casos, de novo, está nos países pobres. 

Um outro dado: uma em cada cinco nações de baixa renda relatou que os dias de aprendizado remoto foram contabilizados como dias oficiais escolares. 

Em 79 países, quase 40% das nações de baixa e média rendas pesquisadas registraram quedas ou esperam reduções no orçamento nacional de educação para este ano fiscal ou o próximo. 

Lavagem de mãos 

Ainda que a maioria das nações indiquem que o aprendizado escolar está sendo monitorado pelos professores, 25% dos países de rendas baixa e média não conseguem rastrear e acompanhar o ensino a distância com os alunos. 

Um dos dados mais graves é a falta de recursos em metade dos países de baixa renda para medidas de segurança como locais e material para lavagem de mãos, distanciamento social e equipamentos de proteção para alunos e professores. Nos países de renda alta, este caso ocorre apenas em 5% dos pesquisados. 

A representante da UNESCO, Stefania Giannini, disse que a pandemia piorou as diferenças entre países ricos e pobres na área da educação, mas que com investimentos corretos, estas brechas podem ser reduzidas. 

Rádio e TV 

Numa reunião em Gana, na semana passada, quase 70 ministros da Educação e 15 chefes de Estado e governo prometeram fazer mais para proteger as escolas e os professores na volta às aulas e na redução do fosso digital.  

A pesquisa das agências da ONU e do Banco Mundial mostrou quase todos os países aderiram à educação a distância nos últimos meses, muitos utilizaram o rádio, a TV e até mesmo apostilas escolares, que foram entregues em casa ou levadas pelos alunos.  

E 90% das nações pesquisadas utilizaram telefones celulares ou providenciaram acesso à internet para os alunos, mas a qualidade e cobertura do acesso variaram muito. 

Seis em cada 10 países, a maioria de renda alta, ofereceram guias aos pais para o reforço em casa, e 40% das nações providenciaram apoio psicossocial.  

O diretor do Banco Mundial para Educação, Jaime Saavedra, alertou sobre as desigualdades no ensino entre países ricos e pobres, que já existia antes da pandemia. Para ele, é hora de reverter as perdas e evitar as consequências dessas desigualdades para os estudantes. 

 

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