25 de Setembro de 2020
RJ: Um ano depois da morte da menina Ágatha, mais 28 crianças foram baleadas

Veículo: 
Brasil de Fato

Há um ano, Ágatha Félix, oito anos, voltava para casa com a mãe no banco de trás de uma kombi, no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, quando foi alvejada por um tiro de fuzil.

Mesmo com a comoção gerada pela morte da menina, um novo relatório da plataforma Fogo Cruzado divulgado nesta segunda-feira (21) mostrou que um ano após o assassinato houve o crescimento na estatística de crianças vítimas da violência armada no Grande Rio. De acordo com o levantamento, depois da menina, outras 28 crianças foram baleadas e oito não resistiram e morreram.

Durante esse período, a maioria das vítimas foi atingida por balas perdidas. Ao todo, 21 crianças - nove foram baleadas em situações em que havia a presença de agentes de segurança -, sendo que duas delas morreram. 

O estudo realizado pelo Fogo Cruzado aponta ainda que o Rio de Janeiro foi o município com o maior número de crianças baleadas durante o período analisado. Ao todo, foram 14, sendo quatro delas mortas. Em seguida, ficaram os municípios de São Gonçalo, com quatro; Belford Roxo, com três; São João de Meriti, com dois; Duque de Caxias, com dois e Magé, Maricá, Guapimirim e Nova Iguaçu com uma criança baleada em cada cidade.

Caso Ágatha

O policial militar Rodrigo José de Matos Soares é acusado de efetuar o disparo que entrou pelas costas da menina. Em dezembro do ano passado, o agente foi denunciado por homicídio qualificado e atualmente, enquanto aguarda o andamento do processo, o cabo realiza trabalhos burocráticos na Diretoria de Veteranos e Pensionistas (DVP) da PM.

A primeira audiência do caso está marcada para 26 de novembro. Soares passou três meses afastado da corporação, de licença para tratamento psiquiátrico. De acordo com o jornal O Globo, no fim de março deste ano, o PM voltou a trabalhar e foi transferido da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Fazendinha em cumprimento à decisão da juíza Viviane Ramos de Faria, da 1ª Vara Criminal, que determinou a suspensão parcial da função de policial militar. O agente só pode executar trabalhos internos, perdeu o porte de arma e está proibido de entrar em contato com qualquer testemunha do caso. 

 

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