08 de Agosto de 2017
Violência é a principal preocupação dos alunos do Ensino Médio no Brasil

Veículo: 
Jornal Hoje

A escola é um lugar muito especial. Na sala de aula, na carteira, no livro, no professor pode estar a diferença entre uma vida boa e outra nem tanto. A escola não é um templo, não é uma igreja, mas deveria ser tratada como um espaço sagrado.

"A gente fica praticamente de mãos atadas porque a gente não sabe o que fazer. A gente fica com medo”, diz a estudante Natália Santos Jannuzi.

A estudante Sabrina de Matos Alves, do segundo ano, fala sobre a crise na segurança pública no Rio de Janeiro. “Nós estudamos em escolas públicas do Rio. Todo mundo já sabe que o estado está em crise. A segurança pública vai de mal a pior e a escola não é uma ilha isolada, não é blindada, mas ninguém imaginou que um dia, a gente teria crianças morrendo dentro do colégio”, diz.

Em Abadia de Goiás, região metropolitana de Goiânia, a professora Célia Maria Gomes conta sobre um arrastão que aconteceu dentro da sala de aula. “A princípio eu pensei que fosse uma brincadeira por parte da coordenação. Eles chegaram usando máscara. Era como um teatro surpresa, os meninos acharam graça a princípio. Eles estavam armados. Foi aí que eu acreditei que não era uma brincadeira. Quando eu olhei que eu vi arma, eu falei: é sério”.

A turma do terceiro ano fazia prova quando aconteceu o arrastão. Os criminosos pularam o muro, entraram na sala de aula e anunciaram o assalto. Uma câmera registrou a ação dos bandidos. Os alunos e professores estão traumatizados e não querem nem ouvir falar da sala de aula onde ocorreu o arrastão. Desde então, as aulas acontecem em outro prédio.

De volta ao Rio de Janeiro, a estudante Sabrina de Matos Alves, que sonha em ser psicóloga, diz que é difícil estudar com essa insegurança. “A gente acaba ficando tenso, não consegue estudar não consegue concentrar na matéria porque fica assim ou concentra na matéria ou concentra lá fora na hora de sair”.

No primeiro semestre, as escolas da rede municipal do Rio funcionaram normalmente em apenas oito dos 107 dias letivos. Quase 400 escolas ficaram fechadas pelo menos um dia, por causa de tiroteios.

No Rio, em Goiás ou em qualquer parte do Brasil o que se quer é paz para poder aprender e ter uma vida melhor.
 
“A violência crescente tem atrapalhado demais a aprendizagem dos alunos. A gente percebe que esses alunos estão com problemas de concentração, que eles não podem dedicar o foco, a mente para a aprendizagem. Hoje o problema da educação não é só mais didático ou pedagógico, é um problema social e de segurança pública”, explica a educadora Andrea Ramal.

 

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