18 de Fevereiro de 2019
Estudantes e professores de Jornalismo participam de oficina e discutem sobre mídia, juventude e Direitos Humanos

Com o propósito de discutir e promover uma reflexão acerca da responsabilidade dos profissionais de imprensa no trato da informação e da forma de como proceder sob o ponto de vista ético-jornalístico, quanto ao desenvolvimento de pautas ligadas à infância e juventude na perspectiva dos Direitos Humanos, o Instituto Terre des hommes Brasil realizou na tarde da última quarta-feira (13), no Centro Universitário 7 de Setembro (UNI7), a “Oficina Mídia, Juventude e Direitos Humanos”. A atividade de formação foi conduzida pela jornalista e escritora Suzana Varjão, consultora da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi). Ao longo da atividade, entre outros assuntos, ela abordou sobre o que é mídia, as teias multidimensionais que fazem parte do processo de comunicação, as “engrenagens invisíveis”, os impactos, a inter-relação existente entre o campo simbólico e o campo físico; apresentou casos práticos para exemplificar; apresentou as normas, as auto regulações e o mapa da violência na mídia; e encerrou fazendo um estudo de caso com os alunos e professores de Jornalismo que se fizeram presentes.

A estudante de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará (UFC) Nathally Kimberly acredita que o que foi compartilhado na oficina trouxe evolução para o desenvolvimento acadêmico e profissional dos alunos, além de contribuir positivamente para a própria formação humana. “Oficinas como esta que tivemos a oportunidade de participar são extremamente importantes para os alunos, seja do primeiro ou do último semestre, para realmente nos dá um choque de realidade em relação ao futuro que nos espera, que são as redações dos veículos de comunicação. Nós precisamos ter essa consciência”, firmou Nathally Kimberly.

Para Guilherme Magalhães, estudante de Jornalismo do UNI7, um dos insights que a discussão proposta pela oficina lhe deu foi que muitas vezes os chamados programas policialescos criam uma narrativa de vingança e não de justiça. “Esse tipo de discussão é muito interessante porque nos provoca a fazer uma análise ampla do fato, quando falamos do exercício jornalístico. A mídia, a polícia e a Justiça têm a sua parcela neste processo e acredito que o debate a respeito desse tema é um ponto de partida relevante para que nós consigamos chegar a discussões ainda mais profundas sobre política, filosofia e várias outras questões que circundam a nossa vida”, refletiu Guilherme Magalhães.

A jornalista e escritora Suzana Varjão considerou gratificante a atividade de formação com os estudantes, pela oportunidade de poder chegar dentro de um espaço de reflexão, como é a universidade, e produzir uma oficina em que se buscou alinhar a teoria numa perspectiva mais reflexiva com a prática. “Eu saio daqui muito feliz e acredito que atingimos nosso objetivo, porque nós não podemos ter a ilusão de que vamos resolver todos os problemas do mundo de uma hora para outra com soluções simples, porque o nosso campo de atuação tem as duas complexidades. Não dá para você construir e descontruir a cultura do medo, por exemplo, e colocar outra no lugar de uma hora para outra com uma única ação. É um ‘trabalho de formiga’, mas um trabalho efetivo, e passa pelo trabalho de debate, de troca de informação, de troca de experiências, e dentro da academia, que é o espaço de formação dos futuros profissionais de imprensa”, avaliou Suzana Varjão. Ela parabenizou o Instituto Terre des hommes Brasil pela iniciativa e também as universidades em Fortaleza, pelo interesse em suscitar o debate a respeito da temática.

Fonte: Instituto Terre des hommes Brasil

 

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No Volume III, são apresentados os dados de pesquisa realizada em programas de rádio e TV das cinco regiões brasileiras, acusando níveis preocupantes de violações de direitos e de infrações a leis e a normas autorregulatórias do campo midiático. E a partir dos elementos constitutivos do modelo “policialesco” identificados na amostra, é aberto amplo debate sobre o fazer jornalístico — seus limites e responsabilidades.