02 de Maio de 2017
Iniciativa premiada pelo PNUD leva atividades físicas para aulas de diferentes disciplinas

Ao observar o recreio da escola em que trabalha como diretora, Patrícia Sousa notou que as crianças mexiam em seus celulares e não brincavam mais. A gestora, então, se deu conta de que a escola poderia ensinar brincadeiras tradicionais para esses alunos, sobretudo porque as novas gerações já não têm mais a liberdade de brincar com autonomia na rua.

A constatação de Patrícia foi ao encontro das reflexões de sua colega, Hilda Almeida, que sempre achou que a prática de atividade física nas escolas era muitas vezes entendida como um sinônimo de “jogar bola”. Para ela, isso privava – continua limitando – as oportunidades de crianças de ter outras experiências com o esporte e com o corpo.

Para resolver esses problemas, as duas decidiram abrir as portas de suas escolas para o Geração Movimento. A iniciativa acredita que tornar a comunidade escolar mais ativa fisicamente não é um papel exclusivo do professor de educação física e sim, um esforço de todos.

Criado em 2015 pelo Instituto Coca-Cola Brasil e pela Fundação Roberto Marinho, o Geração Movimento é um programa de formação continuada sobre cultura corporal. A metodologia abordada pelo projeto propõe aos professores a integração da atividade física às demais disciplinas do Ensino Fundamental. Temas como inclusão e gênero também fazem parte da capacitação.

Apesar de ser um projeto relativamente novo, o Geração já atendeu mais de 18 mil alunos nos municípios de Joinville, em Santa Catarina, e Sumaré, em São Paulo. Em 2016, a iniciativa ganhou o Prêmio Mais Movimento, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O objetivo da premiação é reconhecer e divulgar iniciativas que integram a atividade física no dia a dia das pessoas de todas as faixas etárias.

O treinamento dos professores é feito por meio de encontros presenciais nos quais é utilizada a tecnologia educacional Multicurso, reconhecida pelo Ministério da Educação e implementada pela Fundação Roberto Marinho em outros programas.

Em Joinville e Sumaré, todas as atividades de capacitação foram gratuitas e destinadas exclusivamente a professores de escolas públicas. As formações aconteciam durante horário de trabalho, o que facilitava o engajamento dos professores participantes.

Para o PNUD, um dos diferenciais do Geração é a integração de docentes de diferentes áreas do conhecimento. Segundo Elizabet Staranscheck, da Secretaria de Educação de Joinville, antes do projeto, o professor de educação física costumava trabalhar de forma isolada. Agora, os planos de aula passaram a ser construídos conjuntamente entre professores de diversas disciplinas.

Entre as conquistas da iniciativa, a agência da ONU observa o aumento da prática exercícios na escola, dentro ou fora das aulas de educação física. Em uma das escolas, foi criada uma agenda semanal às sextas em que todos os professores e alunos do Ensino Fundamental I reúnem-se no pátio para realizar atividades físicas e jogos e participar de palestras. Em outro colégio, o programa motivou a criação de uma olimpíada interclasses.

Outro impacto relevante foi o crescimento das atividades interdisciplinares. As saídas da sala de aula deixaram de acontecer somente durante a educação física, e a programação das escolas tornou-se mais atrativa. Oficinas de dança, saraus, gincanas e outros eventos ao ar livre agitam a comunidade acadêmica, incluindo os pais e familiares dos alunos.

As escolas tornaram-se um ponto de encontro das comunidades onde estão inseridas, majoritariamente em regiões periféricas de baixa renda. Para implementar o programa nos centros de ensino, parcerias com as secretarias de educação foram fundamentais, pois viabilizaram o engajamento dos diretores, gestores escolares e docentes.

O PNUD considerando que a iniciativa tem um alto potencial de replicação, sobretudo porque as experiências em Joinville e Sumaré foram sistematizadas em materiais de ensino, apostilas e relatórios de avaliação. As publicações foram disponibilizadas pelo Instituto Coca-Cola para organizações da área de educação.

Fonte: ONU Brasil

 

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Publicação mapeia os principais riscos a que estão expostos crianças e adolescentes nas cidades-sede do Mundial 2014 e apresenta as iniciativas desenvolvidas pela sociedade brasileira para garantir os direitos fundamentais desses grupos etários.