03 de Agosto de 2017
UNICEF: perigos na terra natal são principal causa de movimentos migratórios de crianças

Em relatório que avalia as variáveis por trás do deslocamento infantil, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) revela que 75% dos jovens migrantes e refugiados vivendo na Europa decidiram deixar seus países de origem desacompanhados. Para a maioria, porém, a viagem não tinha como destino inicial o continente.

“O mais notável do novo estudo é que há muitos mais fatores de repulsão, que forçam crianças a abandonarem suas casas, seja por conflitos ou por violência doméstica, do que fatores de atração, que as atraem para a Europa, e este fato vai contra o atual discurso”, disse a porta-voz da agência da ONU, Sarah Crowe, por ocasião do lançamento da pesquisa, divulgada em julho (25).

Publicação foi elaborada a partir de entrevistas com crianças e adolescentes, refugiados e migrantes, na Itália. Durante os primeiros seis meses de 2017, 12.239 menores de idade chegaram ao país, sendo que 93% deles viajavam sozinhos, a maior parte homens adolescentes, segundo o UNICEF. Contudo, na Grécia, a maioria das crianças foi enviada pelos pais ou estava acompanhada por eles.

A porta-voz do UNICEF ressaltou que, do total de crianças que chegaram à Líbia, 63% abandonaram o país posteriormente por causa da violência generalizada e do trauma que sofreram ou testemunharam. “Como um dos jovens gambianos disse (à pesquisa), ‘se você tem um leão atrás e o mar na frente, você opta pelo mar’”, afirmou Crowe.

Entre as meninas entrevistadas, uma em cada cinco fugiu por causa do casamento infantil nas suas comunidades.

Viagens mortais cada vez mais caras

Também sobre os fluxos migratórios rumo à Europa, a Organização internacional para as Migrações (OIM) divulgou que viagens pelo Mediterrâneo Oriental custam, atualmente, 5 mil dólares. “Com o aumento do controle fronteiriço, chegar à Europa tem sido cada vez mais difícil”, disse Livia Styp-Rekowska, especialista em gerenciamento fronteiriço da OIM.

“Um fator comum, entretanto, é o aumento das somas demandadas. O custo para chegar até a Europa aumento significativamente em comparação com 2016, as rotas mudaram e diferentes países de destino têm sido priorizados”, explicou. Segundo a OIM, valores mais altos são cobrados às pessoas que vêm do Afeganistão, da Síria e do Paquistão.

O destino mais popular, até junho de 2016, era a Alemanha. Agora, os migrantes procuram chegar à França, Suécia, Itália, Noruega, Áustria e Dinamarca, tendo a Grécia como país de trânsito mais frequente.


Fonte: ONU Brasil

 

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