Tim Lopes
O homem por trás do nome

 

Arcanjo Antonino Lopes do Nascimento era daqueles jornalistas corajosos, como não se encontra tão facilmente. Embora produtor da Rede Globo desde 1996, não era figura carimbada nas telas de tevê e, por isso mesmo, conseguia penetrar, anônimo, onde outros jornalistas normalmente não pisariam sem chamar a atenção. Obtinha, então, informações raras. Em 2 de junho de 2002, aos 51 anos de idade, ele desapareceu quando perseguia pistas do tráfico de drogas e da exploração sexual infanto-juvenil no Rio de Janeiro. Depoimentos colhidos pela polícia entre os próprios traficantes indicam que ele foi torturado e morto por quem temia ser alvo de suas denúncias

Trajetória profissional – Gaúcho da cidade de Pelotas, apesar de parecer carioca da gema, Tim Lopes construiu sua carreira no Rio de Janeiro, onde se formou na Faculdade Hélio Alonso. Dedicado ao jornalismo investigativo, arrebatou um rol de prêmios, entre eles o Esso de 2001 – em equipe – pela reportagem “Feirão das Drogas”. Usando uma câmera escondida, denunciou o livre comércio de drogas no Complexo do Morro do Alemão. Foi o primeiro prêmio Esso concedido à categoria Televisão.

Recebeu ainda o 11º e o 12º Prêmio Abril de Jornalismo na categoria Atualidades pelas matérias “Tricolor de Coração”, publicada na revista Placar de dezembro de 1985, e “Amizade sem Limite”, de maio de 1986. Em fevereiro de 1994, recebeu prêmio de melhor reportagem do jornal O Dia pela série “Funk: som, alegria e terror” – ironicamente, o mesmo tema de sua última grande matéria na TV Globo. Essa é, em resumo, a história de um dos profissionais de imprensa mais respeitados do país, a quem o concurso de investigação jornalística da ANDI e da Childhood Brasil – com apoio da família Lopes – presta tributo.

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