ANDI e Unesco apresentam a pesquisa “Análise da educação na mídia 2016-2017”, sobre as tendências da cobertura do tema nas plataformas online no período

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Em pesquisa de análise da cobertura de educação no Brasil, o Correio Braziliense aparece como o jornal que mais abordou o assunto entre 2016 e 2017. Os destaques dos resultados do estudo foram divulgados no dia 07 de agosto, durante o segundo Congresso Internacional de Jornalismo de Educação, em São Paulo.

O levantamento foi elaborado pela ANDI – Comunicação e Direitos e pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e deve ser liberado oficialmente no próximo mês. Miriam Pragita, diretora-executiva da ANDI, avalia como muito positiva a performance do Correio Braziliense na cobertura de educação, o que engloba a produção vinculada no site Eu, Estudante e no jornal impresso. 

"Dos jornais, é o que cobre mais educação. Os números mostram que a cobertura do Correio é maior. E o Correio cobre bem educação." A pesquisa considerou reportagens publicadas na internet e nas edições impressas. Miriam elencou como possibilidades que explicam o destaque do Correio o fato de a empresa estar baseada em Brasília e a priorização do assunto.

"Acho que isso vem de uma linha editorial do Correio, muito boa por sinal, com certeza, por valorizar um tema que é fundamental para a nossa sociedade", elogia ela, que também é secretária-executiva da Rede Nacional da Primeira Infância (RNPI). Em termos quantitativos, o portal G1 é o único veículo de comunicação que aparece à frente do Correio Braziliense em produção de matérias sobre educação, até pelo fato de se tratar de um portal com redações em várias regiões do país e conteúdo 100% online, enquanto o Correio só tem equipe em Brasília e também produz jornal impresso.

Especialista em gerenciamento de projetos pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Miriam considera que educação é um tema difícil de se trabalhar. "Há muitas mudanças e novidades nos sistemas de ensino, muitas siglas, que as pessoas não têm a obrigação de saber." O que torna a performance do veículo do grupo Diários Associados ainda mais importante.

No total, os pesquisadores da ANDI e da Unesco analisaram publicações que trataram de educação em 11 veículos de comunicação durante um total de 31 dias entre 2016 e 2017. As datas de análise foram distribuídas ao longo dos meses.

Dessa maneira, o levantamente considerou 3.972 reportagens. "Se pegássemos para analisar todos os dias ao longo dos dois anos, esses veículos teriam produzido, seguindo a média dos dias analisados, cerca de 47.664 notícias sobre educação", explica Miriam, que fez curso de liderança executiva para o desenvolvimento da primeira infância na Universidade Harvard.

Por se tratar de uma análise de conteúdo, não contaram no estudo os textos com menos de 500 palavras, e os que abordavam o ensino superior. Para Miriam, chamou o fato de a polícia aparecer como uma fonte bastante ouvida em matérias de educação, justamente pela ocorrência de casos de violência nas escolas e nos arredores delas.

"Também chama a atenção o fato de o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e avaliações educacionais serem o assunto mais comentado nas matérias, num momento em que estavam rolando discussões sobre a PEC do teto dos gastos, por exemplo", aponta.

Eugênio Bucci, professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), ressaltou a importância do jornalismo de educação. "Escrever sobre educação é educar. Claro que o papel do jornalismo não é ser escola, mas, ao cobrir educação, os jornalistas estão, mesmo não tendo como prioridade educar, sendo uma extensão do ideal da escola."

O segundo Congresso Internacional de Jornalismo de Educação, organizado pela Associação dos Jornalistas de Educação (Jeduca), aconteceu nos dias 6 e 7 de agosto, no Colégio Rio Branco, em São Paulo, reunindo cerca de 400 profissionais da imprensa.

Fonte: Correio Braziliense