25 de Janeiro de 2021
'Adoção Tardia': livro compartilha experiências de famílias que acolheram crianças e adolescentes mais velhos no DF

Veículo: 
Globo.com

No Distrito Federal, 122 crianças e adolescentes aguardam para serem adotadas e 586 famílias estão habilitadas no cadastro local de adoção. Entretanto, a conta não fecha, já que 90% dos pretendentes ainda buscam menores de três anos para adotar. Na tentativa de reverter o cenário, pais e mães de crianças mais velhas se juntaram para contar experiências da adoção tardia.

O livro "Relatos de famílias nascidas de uma escolha" será lançado nesta sexta-feira (15), pela internet, nas redes sociais do grupo Aconchego (veja detalhes abaixo)– entidade sem fins lucrativos de apoio à convivência familiar. A obra reúne textos de 39 famílias da capital.

Um dos autores é o bancário Daniel do Valle Silvestre, de 46 anos. Ao lado do companheiro, há quatro anos, o morador de Brasília entrou na fila do Cadastro Nacional de Adoção e, em 2018, viu a família crescer com a chegada dos primogênitos, Kevin e Isaac, hoje, com 8 e 11 anos.

"No livro, contamos histórias do que passamos no começo com eles. Achamos que isso poderia ajudar outras famílias a diminuírem o preconceito em adotar crianças mais velhas."

Na coletânea, Daniel fala sobre a adoção pelo viés de um casal homoafetivo. Ele e o companheiro estão juntos há 16 anos. "Tínhamos a preocupação, medo de não sermos aceitos, ou deles sofrerem consequências dessa formação familiar. Mas, quando os meninos chegaram, percebemos que isso não era problema para eles", conta.

"Nós [casal] já vivemos esse sofrimento desde criança, agora, temos argumentos para ajudar os nossos filhos a superar esse preconceito."

Orientação

Apesar de ainda não existir consenso sobre idades para classificar a adoção tardia, quem atua na área considera como o acolhimento que envolve crianças acima de dois ou três anos.

Para a presidente do grupo Aconchego, Soraya Kátia Pereira, a proposta do livro surgiu durante as reuniões de pais, que compartilham experiências entre famílias que já adotaram.

"Os pais vivem etapas parecidas, contam um com o outro. É um processo de reviver histórias e trocar apoio. E, então, pensamos: por que não escrever um livro?"

O exemplar custa R$ 29,90 e pode ser adquirido pela internet. Soraya explica que a renda será revertida para projetos sociais com foco na convivência familiar e comunitária.

Família de Daniel e Wilton; na foto, com os filhos Kevin e Isaac, de 8 e 11 anos — Foto: Arquivo pessoal

"Essa renda vai fazer com que a gente chegue mais perto dessas crianças e adolescentes acolhidos. As famílias precisam saber que além da maternidade e da paternidade, existe a cidadania", explica.

"Precisamos dar mais mais conhecimentos para que as famílias possam se conscientizar se cabe na vida deles a adoção de adolescentes ou crianças maiores. Se de fato, ali, cabe uma filiação."

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