Crianças opinam na criação de plano para melhoria da infância no Amapá

Veículo: Globo.com - BR
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Cerca de 50 crianças estão sendo ouvidas pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) nesta quarta-feira (14), em Macapá. Elas opinam sobre o que pensam e desejam para a cidade. Os relatos coletados ajudarão a construir o Plano Estadual Pela Primeira Infância no Amapá (Pepi).

As conversas iniciaram pela manhã com alunos da Escola Municipal Pequeno Príncipe, no Centro. À tarde, são ouvidas criaças da Estadual Professora Maria Izabel Fernandes Ribeiro, no bairro Novo Horizonte, Zona Norte.

Os facilitadores usam histórias infantis, e fazem as crianças desenharem o que mais gostam na cidade, fotografarem o lugar que preferem na escola, e conversarem em pequenos grupos sobre o que as agrada na cidade. Tudo é registrado em áudio e vídeo pela Unicef e pela Secretaria de Estado da Inclusão e Mobilização Social (Sims).

“Hoje é o início do processo de escuta das crianças, do olhar delas, do sentimento delas, do desejo delas de uma cidade melhor. É até os 6 anos de idade que a gente tem grandes transformações no desenvolvimento físico, psíquico, no despertar das emoções. Quando a criança é bem acolhida, bem cuidada, respeitada nessa faixa etária, é potencial para ter uma infância e uma vida adulta mais tranquila”, falou o oficial de programas da Unicef/Brasil Antônio Carlos Cabral.

De acordo com uma das facilitadoras da escuta Rhaisa Pael, estudante de doutorado em educação, as primeiras crianças entrevistadas falaram sobre a necessidade de ter mais tempo para brincar, o cuidado das famílias com as crianças, as condições do transporte público e o medo da rua, referindo-se a ladrões e acidentes de trânsito.

“A gente vê essas crianças falando que estão sempre em casa, e os estudos mostram isso: elas estão cada vez mais em espaços privatizados, não estão vivenciando os espaços públicos, e o quanto elas perdem por não estarem nesses espaços públicos, a convivência com gerações diferentes, as brincadeiras. Isso mostra que o plano precisa assegurar o acesso seguro aos espaços públicos”, disse Rhaisa.

Em breve também devem ser escutadas crianças moradoras de comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas, para compor o Pepi. Os relatos serão apresentados aos grupos de trabalho formados na terça-feira (13), que vão discutir ações relacionadas a 13 segmentos, dentre eles, a educação e a saúde.

A previsão é de que em 2017 o Pepi seja concluído, entregue para aprovação do Conselho da Criança e do Adolescente, e passe para apreciação na Assembleia Legislativa do Amapá (Alap).

 

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