Crianças sírias refugiadas encenam Shakespeare

Veículo: O Povo - CE
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Numa área rochosa nesta extensa cidade de barracas e trailers pré-fabricados, o rei, trajando jeans sujo e capa improvisada, ergueu seu cetro de madeira e anunciou sua intenção de dividir seu reino. Suas filhas mais velhas, usando coroas de papel e joias de plástico, o cobriram de elogios falsos. A filha mais nova falou a verdade e perdeu sua herança. Assim começou uma montagem recente de "Rei Lear" no campo de refugiados de Zaatari, na Jordânia. Foi o primeiro contato que as cem crianças do elenco tiveram com o dramaturgo inglês William Shakespeare, apesar de elas já terem conhecimentos profundos sobre tragédias. Todas são refugiadas vindas da Síria. Algumas viram suas casas ser destruídas. Outras perderam familiares na violência. Muitas ainda têm dificuldade em dormir ou ficam sobressaltadas quando ouvem um ruído alto. E agora sua casa é este lugar, um campo isolado, sem árvores, um lugar de pobreza, incerteza e tédio. Refletindo a composição demográfica da população de refugiados sírios, mais de metade dos 587 mil refugiados cadastrados na Jordânia tem menos de 18 anos, segundo as Nações Unidas. Mais ou menos 60 mil dessas crianças e jovens vivem no campo de Zaatari, onde menos de um quarto delas frequenta a escola regularmente.

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