De menina e de menino

Veículo: Correio Braziliense - DF
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Quando soube que estava grávida de Ana, hoje com 2 anos, a psicóloga Júlia Clímaco, 31, lembrou-se de um trabalho da faculdade, no qual levou às escolas uma discussão sobre as separações que existem entre brincadeiras de meninos e de meninas. Porém, só quando começou a comprar o enxoval da filha é que, de fato, teve noção de como acontece essa divisão no comércio. "Não imaginava que tudo é separado. Você entra em uma loja pedindo um presente e já perguntam qual é o sexo, fica difícil escolher livremente. Até mesmo um penico que fui comprar para minha filha foi assim. A diferença, me disseram, é que o de meninas é rosa e o dos meninos tem mais cores, bem mais divertido. Comprei o masculino", conta. A identificação com o próprio gênero é um processo natural do crescimento de qualquer criança. Muitos pais, contudo, enxergam criticamente essa divisão, reforçada pelo mercado. Para Silvia Düssel Schiros, colaboradora do Movimento Infância Livre de Consumismo, a separação em nichos de mercado vem carregada de um estímulo ao consumo por parte das crianças.

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