DF: Catadores de histórias

Veículo: Correio Braziliense - DF
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Garrafas de refrigerante, restos de comida e de material de construção, móveis e roupas usadas. Todos os dias, o Lixão da Estrutural, no distrito Federal, o maior a céu aberto da América Latina, recebe mais duas mil toneladas de resíduos que se juntam à montanha formada ao longo dos últimos 40 anos. Mas os descartes da capital podem oferecer mais do que sobrevivência. Deles, também brotam livros. A líder comunitária Maria Abadia Teixeira de Jesus, de 50 anos, começou sua história com a Estrutural em 1993, quando parte da família mudou-se para a cidade e passou a viver da reciclagem. Aos poucos, a costureira decidiu abandonar agulhas e tesoura e investir no reaproveitamento do lixo. O barracão usado para separar os resíduos virou ponto de encontro da meninada da região, que, na década de 1990, nem sequer contava com escolas ou qualquer outro serviço público. A estrutura improvisada foi ganhando ares de biblioteca. De 1998 a 2005, o espaço cresceu. Chegou a acumular oito mil exemplares.

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