Escolas no Rio já têm modelo próximo ao da reforma do ensino médio

Veículo: O Globo - RJ
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A maioria das escolas brasileiras tem muito o que trabalhar para conseguir se adequar às medidas instituídas pela reforma do ensino médio, sancionada na semana passada pelo presidente Michel Temer. Mas algumas redes no Rio já estão no rumo proposto e bem próximas do que prega a nova lei. Nessas instituições a quantidade de horas de atividade escolar é maior, há matérias diversificadas e os alunos têm mais autonomia sobre sua vida escolar.

A Escola Sesc de Ensino Médio, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, desenvolve um modelo diferenciado desde a sua criação, em 2008. Os estudantes, que também residem na escola, participam de atividades escolares de 8h às 20h. Na primeira parte do tempo, de 8h às 16h, eles se debruçam sobre o conteúdo tradicional e, no restante, têm aulas eletivas, selecionadas de acordo com suas preferências.

"Trabalhamos com uma perspectiva de muita liberdade na construção do nosso projeto pedagógico. Também temos um número de horas de aula muito superior ao que é demandado, então não sofreremos restrições com a reforma", afirma a diretora Claudia Fadel.

Além do conteúdo tradicional, o chamado “currículo hackeado” é uma parte da grade feita pelos estudantes. Nela, os alunos podem escolher quais matérias eletivas querem cursar, a partir de uma gama de opções que vai desde o aprofundamento nas áreas tradicionais do conhecimento, até disciplinas como dança, ioga, criação e produção de moda, entre outras. Na segunda série do ensino médio, os estudantes devem cumprir, necessariamente, 160 horas de qualificação profissional. Nesse caso, podem escolher entre cinco “cursos”: mídia, produção cultural, lazer, meio ambiente e robótica.

"Os alunos têm que ter protagonismo, para que possamos entender a linguagem que falam, que não é a nossa", acredita Claudia.

A lei que reforma o ensino médio estabelece que o número de horas aumente progressivamente até alcançar o que é estabelecido pelo Plano Nacional de Educação (PNE), ou seja, que 25% das matrículas da educação básica estejam na modalidade de ensino integral até 2024. Antes disso, no entanto, a reforma fixa uma meta intermediária para que, em um prazo de cinco anos, todas as escolas brasileiras de ensino médio ofereçam cinco horas diárias de atividades escolares. Outro eixo central da nova lei determina que 60% da carga horária seja destinada à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) — que, de acordo com o Ministério da Educação (MEC), deve ser concluída até o fim deste ano — os 40% restantes serão destinados aos itinerários formativos, que oferecerão conteúdos mais específicos relacionados às quatro áreas do conhecimento (Ciências da Natureza, Ciências Humanas, Linguagens e Matemática) e à educação profissional.

Conselheiros ajudam a montar grade

Em direção parecida está a Escola Eleva. Recém-inaugurada, a instituição em Botafogo, Zona Sul da cidade, oferece, por enquanto, apenas a 1ª série do ensino médio. Durante as aulas, de 8h às 16h, os estudantes têm, além das disciplinas tradicionais, outras que são obrigatórias na escola (mas não são determinações do MEC, como cidadania global) e as eletivas (direito é uma delas). Para ajudar a compor a grade, os estudantes da Eleva contarão com uma figura que também existe na Escola Sesc de Ensino Médio: o conselheiro, uma espécie de tutor que orienta os alunos durante a estruturação dos horários, de acordo com as preferências de cada um.

"No início do ano, apresentamos as eletivas e eles escolhem as que podem participar. Por ano, eles podem escolher três eletivas", explica o diretor da Eleva, Amaral Cunha, acrescentando que o conselheiro será fundamental quando a reforma entrar em vigor, uma vez que haverá ainda mais flexibilidade na composição do currículo.

Segundo Cunha, as adaptações da Eleva à reforma serão bem menores que em outras escolas, porque a instituição já têm cerca de 30% do currículo composto por matérias diversificadas.

No colégio Mopi, que tem unidades na Tijuca (Zona Norte) e na Barra (Zona Oeste), as mudanças serão maiores, mas ainda assim, menos impactantes que em escolas que seguem o modelo tradicional. Lá, na 1ª e na 2ª série do ensino médio os alunos têm atividades de 7h às 17h10 (com uma hora de interrupção) durante quatro dias na semana. Para os estudantes da 3ª série o horário é cumprido nos cinco dias. Eles também já têm núcleos diversificados centrados nas quatro áreas do conhecimento. A diferença é que os estudantes devem passar por todos eles, só podem escolher a ordem. A parte diversificada compõe 10% da carga horária. Com a reforma, haverá uma ampliação.

"A lei diz que 40% da carga horária deve ser diversificada. Então precisaremos ampliar nosso currículo nesse ponto. No que diz respeito à formação profissional, ainda precisaremos desenvolver", conta Hélcio Alvim, coordenador pedagógico de ensino médio do Mopi.

 

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