Estudo com jovens diz que 46% não conhecem reforma do ensino médio

Veículo: Globo.com - BR
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Uma pesquisa feita pelo Senai em todo o país apontou que 46% dos estudantes afirmam não ter conhecimento sobre a proposta de reforma do ensino médio. Os resultados foram divulgados nesta segunda-feira (7).

O estudo “Os jovens, a educação e o ensino técnico” foi feito com 2.002 pessoas entre 13 e 18 anos. O Senai colheu informações de acordo com a distribuição populacional. Foram 38,5% na região Sudeste, 30,6% no Nordeste, 17,3% no Norte/Centro-Oeste e 13,7% no Sul.

O levantamento foi realizado em 85,8% com alunos da rede pública. Estudantes de instituções particulares somam 13,8%. Não respondeu 0,3%.

De acordo com o levantamento, 61,4% dos estudantes de escolas particulares se dizem mais informados sobre a reforma do que os estudantes da rede pública. O tópico mais rejeitado pelos estudantes é sobre o aumento da jornada para sete horas diárias (57% são contra, 36,1% são a favor, 5,4% não são contra nem a favor e 1,2% não respondeu).

Sobre a possibilidade de escolha das disciplinas a serem cursadas, 61,5% aprovam e 31,7% são contra. O percentual de jovens para quem a medida não é boa nem ruim é de 5,4%. O percentual entre os que não responderam foi de 1,2%.

A região com maior percentual de jovens que sabem da reforma no ensino médio é o Sul (65,7%). O Nordeste teve o pior desempenho, com 43,8%. No recorte das regiões Norte e Centro-Oeste, o número foi de 56,9%. No Sudeste, 53% disseram saber da mudança.

Pelo levantamento, 89,2% dos entrevistados afirmaram estudar atualmente. A pesquisa apontou que 85,8% estão matriculados em escola pública. Entre os jovens que preencheram os formulários, 18,2% afirmaram ter um emprego.

A pesquisa também abordou a educação profissional. Para 72,4% dos entrevistados, há pontos positivos no ensino para a obtenção do primeiro emprego. O estudo aponta que 65,3% aprovam a inclusão do curso técnico na grade do ensino médio; 26,5% reprovam; 6% não são contra nem  favor; e 2% não souberam responder.

Para o diretor-geral do Senai, Rafael Lucchesi, o alto índice de brasileiros desempregados favorece o crescimento do público que busca a formação profissional a fim de conquistar o primeiro emprego.

Lucchesi diz acreditar que existe um “preconceito institucional” do sistema educacional brasileiro contra a educação profissional. Segundo ele, a população em geral encontra aspectos positivos neste tipo de formação.

“Na atual reforma coloca-se progressivamente um aumento de 800 para 1,4 mil horas de carga horária anual, como há nos institutos federais. Quem faz isso no mundo? A média dos países da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico ou Econômico] tem 900 horas.”

Lucchesi se disse surpreso sobre o número de jovens desinformados sobre a reforma do Ensino Médio. “Considerando uma sociedade de massa e o nível de acesso à informação eu fico surpreso com a quantidade de pessoas que têm acesso a elas. Muitas vezes a pauta jornalística também informa incorretamente no debate político.”

Para o diretor, a educação profissional ocorre concomitantemente à educação regular em países da Europa, onde o “ensino médio não é rígido e inflexível, como o brasileiro”. O estudo aponta que 17% dos jovens brasileiros seguem do ensino médio para a Universidade e que o sistema educacional atual não oferece pleno emprego para a maior parte dos jovens.

“O ensino técnico visa a viabilizar a continuidade nos estudos para jovens de baixa renda. O que nós vamos corrigir é um segundo grave problema na matriz educacional brasileira. Apenas 5% dos formados no Brasil são engenheiros”, afirma Lucchesi.

Olimpíada do Conhecimento
Durante a divulgação do estudo, o Senai informou que deve receber 1,2 mil competidores na "Olimpíada do Conhecimento" e espera receber 100 mil visitantes drurante o evento, que acontece entre quinta e domingo (10 e 13), no ginásio Nilson Nelson. Cerca de 50 mil estudantes de institutos federais, escolas públicas e alunos do Sesi e do Senai são esperados.

Outros 50 mil visitantes devem passar pelos estandes durante os quatro dias. A olimpíada recebe equipes de todos os estados e do Distrito Federal. Eles competem em sete provas – construção e edificações; tecnologias da informação e comunicação; engenharias agrícola e pecuária; moda e criatividade; tecnologia e manufatura e engenharias; transporte e logística; e serviços.

Os grupos têm de 16 a 20 horas para concluir desafios propostos pelos avaliadores do Senai. Cada equipe conta com orçamentos e recursos limitados para realizar a prova em até três dias. Os desafiantes também serão avaliados individualmente.

“Criamos uma olimpíada que tem o propósito de comunicar com os jovens. Haverá demonstrações profissionais, assim como mostras de ciências e engenharia do Sesi”, diz Lucchesi.