Herança maldita

Veículo: Correio Braziliense - DF
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No lugar do nariz, duas grandes fendas. O rosto gigantesco, os olhos parecendo dois rasgos e a boca deformada. Fatma Abdul Ghaffar nasceu assim no dia 6, em Douma, na região de Ghouta, subúrbio de Damasco, capital da Síria. Nove horas depois de vir ao mundo, teve a morte apressada pelos médicos, que consideraram inviável mantê-la viva. Os pais da menina creem que as malformações foram provocadas pelo ataque químico de 21 de agosto do ano passado – a nuvem de gases letais teria matado pelo menos 1,4 mil pessoas. Médicos sírios confirmaram ao jornal britânico The Telegraph que a incidência de bebês natimortos em uma clínica para refugiados supera um em cada dez nascimentos. "Quando o ataque químico aconteceu, Marwa, minha mulher, inalou o gás e ficou doente. Nós a levamos a um posto médico, onde ela recebeu um banho e melhorou. Nosso bebê nasceu de um modo muito ruim e morreu na manhã seguinte", lamentou Mahmoud Abdul, 26 anos, pai de Fatma, que rejeita outra explicação para a tragédia que abateu sobre a família.

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