Mão de obra vulnerável

Veículo: Correio Braziliense - DF
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A grande movimentação de cargas e passageiros nos portos brasileiros atrai trabalhadores interessados em lucrar com o fluxo de mercadorias e de visitantes. Feiras instalam-se nas proximidades, e ambulantes montam barracas para criar um comércio paralelo, que se alimenta da força do trabalho de pessoas de qualquer idade. A série "Cais do abandono" revela nesta terça-feira (15) denúncias da exploração do trabalho infantil em zonas portuárias. A presença de crianças em atividades insalubres é tratada com normalidade e parece não chocar turistas ou nativos, que se beneficiam de serviços baratos, prestados por jovens carregadores de bagagem e vendedores de água e de alimentos. Com a proximidade da Copa do Mundo, aumenta o risco da exploração do trabalho de meninas e meninos em atividades como comércio ambulante ou o recolhimento de material reciclável. Desde 2007, os fiscais flagraram 46,1 mil crianças em trabalho irregular no Brasil. No ano passado, foram 7,4 mil casos, número 15% superior aos registrados no ano anterior. De acordo com estimativas da última Pesquisa Nacional de Dados por Amostra de Domicílios (Pnad), existem no Brasil hoje 3,5 milhões de crianças e adolescentes com idade entre 5 e 17 anos em situação de trabalho irregular.

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