Novas habilidades na grade curricular enriquecem formação

Veículo: O Globo - RJ
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Ao perceber que, apesar de bem inteligentes, muitos alunos saíam do colégio Pensi sem ter desenvolvido sua inteligência emocional, a instituição resolveu inserir na grade curricular do Ensino Fundamental a aula Habilidades de Vida, que trabalha as competências socioemocionais como perseverança, pró-atividade, pensamento crítico, curiosidade, colaboração e comunicação. A instituição é uma das que têm investido em disciplinas alternativas para acrescentar na formação do estudante. As aulas de Habilidades de Vida são coletivas e individuais, e o aluno é estimulado a construir o pensamento a todo momento. São desenvolvidos projetos em grupo em que são introduzidas e analisadas questões do cotidiano. As aulas também costumam envolver atividades de outras disciplinas e buscam maneiras mais atraentes de ensinar conteúdos tradicionais. "Vimos que muitos alunos chegavam a entrevistas de emprego e ficavam tímidos e travados e que precisávamos desenvolver mais esse lado emocional. Por isso, os alunos do 6º ao 8º ano passaram a ter essa disciplina em suas grades curriculares. Buscamos estimular a curiosidade e a colaboração entre os alunos. No 9º ano, as aulas são ministradas pelo Professor de Filosofia", explica Bruna Lobo, coordenadora do Ensino fundamental. No Centro Educacional de Niterói, os alunos de 1º e 2º ano do Ensino médio tiveram aulas de química ambiental acrescentadas, este ano, à sua grade curricular. A novidade surgiu após o corpo docente perceber que os estudantes enfrentam dificuldades na prova de ciências da natureza do Enem. "O exame é bastante contextualizado e aborda diversos assuntos. A prova de ciências da natureza trabalha o conteúdo ambiental, fala sobre queima de combustíveis fósseis, poluição de água e solo. Nos livros do Ensino médio não há um capítulo específico sobre química ambiental, daí a dificuldade dos estudantes. Em uma reunião no ano passado, criamos essa disciplina condicionada, na qual discutimos atmosfera e composição química, entre outros assuntos. Desta forma, os alunos entendem os fenômenos que estão presentes no dia a dia", conta a professora de Química Luana Bacelar.

Liberdade de escolha

A disciplina é obrigatória, mas os jovens escolhem o momento de assistir às aulas, que são teóricas e práticas. Professores de Química e de Biologia estão à frente das turmas. "Para que os alunos assimilem o conteúdo ainda com mais facilidade, também promovemos passeios", diz a professora de Química. Há cerca de dez anos, alunos do 2º ano do Ensino médio do Assunção podem optar por cursar a matéria Projeto Miniempresa, que tem a duração de apenas um semestre. A disciplina nasceu da necessidade de mostrar para os estudantes uma visão empresarial do mercado profissional. É fruto de uma parceria com uma ONG que leva empresários voluntários para ministrar a aula. "Os voluntários auxiliam os alunos a montar uma empresa dentro da Escola. Os alunos têm que ocupar todos os cargos que existem dentro de uma companhia de verdade, desde o presidente até o funcionário. Eles escolhem os produtos, vendem, fazem a propaganda, vendem ações e pagam um aluguel, entre outras coisas. Este ano, a empresa criada se chama Facarte e comercializa mochilas", conta a diretora, Maria do Carmo Laia Franco. No Catavento, há mais de dez anos aulas de técnicas de mosaico são oferecidas como uma atividade extraclasse para alunos da Educação infantil, ao 5º ano. No currículo de artes do Ensino fundamental, a disciplina também faz parte da grade curricular. "Com azulejos, sucatas e tampas de garrafa, entre outros materiais, os alunos desenvolvem mosaicos, uma atividade que ajuda na concentração, na organização espacial. Assim, eles trabalham a atenção, o interesse e outras habilidades que são essenciais para o desenvolvimento das crianças", afirma a diretora da Escola, Cláudia Costa.

 

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