O êxodo das crianças

Veículo: Revista Veja - SP
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Na rodoviária do centro de Tucson, no estado americano do Arizona, cortinas negras cobrem um antigo armazém, separando esse espaço do local onde passageiros aguardam os ônibus. Atrás dos panos, mulheres e crianças, todos imigrantes ilegais, recebem doações de roupas, brinquedos e alimentos das mãos de voluntários. A uma hora de carro dali, na cidade de Nogales, na fronteira com o México, um abrigo do governo aloja 1,1 mil crianças que entraram nos Estados Unidos desacompanhadas. A média de idade é de 16 anos e a menor delas tem apenas 3. Aqueles que estiveram lá dentro (a imprensa não tem acesso ao lugar) contam que os banheiros são improvisados e que os pequenos não têm roupa limpa. O cheiro, dizem, é insuportável. As celas, onde estão acomodados, são frias e não há casacos nem mantas. A comida trazida pelos guardas não é suficiente para todos. Nos últimos meses, o país recebeu um volume inédito de imigrantes com menos de 18 anos de idade e de mães com bebês, os quais colapsaram o sistema imigratório. A patrulha de fronteira apreende entre 200 e 250 crianças e adolescentes por dia ao longo da cerca que separa os Estados Unidos do México. Nesse ritmo, até setembro o número total pode chegar a 90 mil – quatro vezes mais que o registrado no ano passado. Três bases militares foram preparadas na Califórnia, no Texas e em Oklahoma para abrigá-los.

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