Declaração do UNICEF sobre Operação Policial no Rio de Janeiro
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) manifesta profunda consternação e preocupação com a operação policial ocorrida ontem, 28 de outubro de 2025, no Complexo do Alemão e na Penha, no Rio de Janeiro. Este episódio de violência armada, que resultou no maior número de mortes em operações policiais já registrado na cidade, escancara tragicamente a persistência e a letalidade do modelo de segurança pública não protetivo e do controle territorial armado que vitimizam crianças, adolescentes e suas famílias na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, além dos próprios agentes de segurança.
Estudos realizados pelo UNICEF, como a série “Educação sob Cerco” e a pesquisa sobre o Impacto da violência armada na saúde e na vacinação da primeira infância na Maré, evidenciam as graves violações decorrentes do convívio com o controle territorial por grupos armados. Crianças, adolescentes e suas famílias vivenciam um ambiente tóxico e violento em que a garantia de direitos se vê constantemente ameaçada.
Os relatórios demonstram ainda que o uso sistemático do confronto armado como principal instrumento de resposta compromete o acesso a direitos básicos, como educação, saúde, assistência social e lazer. Dessa forma, além de não haver um recuo na extensão do domínio territorial armado, não há uma melhora na sensação de segurança das comunidades nem alternativas para quebrar um ciclo vicioso de pobreza, em suas múltiplas dimensões, que priva meninas e meninos de atingir seu pleno potencial.
Governos não podem fugir da responsabilidade de enfrentar o domínio das facções sobre grandes partes do território das cidades, e esse enfrentamento precisa considerar a proteção de meninas e meninos que vivem nesses territórios.
O UNICEF reitera que a proteção da vida, especialmente de crianças, adolescentes e jovens, é inegociável. Nesse sentido, o tema exige seriedade e compromisso político, com planejamento, coordenação e proporcionalidade na aplicação da lei. O foco deve se voltar ao desmantelamento das redes econômicas e políticas que sustentam as facções criminosas, por meio de ações de inteligência, investigação e estratégias de desarticulação financeira. Essas ações são essenciais para enfraquecer a capacidade de perpetuação da violência e garantir uma atuação que priorize a proteção dos cidadãos, especialmente de crianças e adolescentes.
O UNICEF expressa solidariedade às famílias de todas as vítimas e às comunidades impactadas, e reforça o compromisso de apoiar o poder público e a sociedade civil na construção de políticas de segurança protetivas baseadas em evidência capazes de garantir que nenhuma infância e adolescência sejam interrompidas pela violência.
Fonte: Unicef Brasil
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