Não é menor: por que precisamos mudar a forma como falamos sobre crianças e adolescentes

Veículo: O Estado de S. Paulo - SP
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A linguagem do discurso popular reflete aspectos centrais da cultura de uma sociedade. No caso da infância e da adolescência, podem carregar preconceitos que atravessam gerações. É o que acontece com o termo “menor”, ainda tão presente no noticiário, no discurso público e até nas conversas cotidianas.

Por trás dessa palavra existe uma herança de estigmatização. Quem a sociedade considera “criança” e quem a sociedade considera “menor”?  O termo “menor” remete ao antigo Código de Menores, que tratava meninos e meninas em situação de vulnerabilidade a partir de uma lógica punitiva e classificatória.

A Constituição de 1988 e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em vigor desde 1990, romperam com essa visão, instituindo a doutrina da proteção integral: crianças e adolescentes são sujeitos de direitos, cidadãos plenos, em condição peculiar de desenvolvimento e com prioridade absoluta de proteção.

É nesse contexto que a ANDI – Comunicação e Direitos, em parceria com organizações como o Coletivo Colo, Abej, Abraji, Fenaj, Jeduca e SBPJor, lança a campanha #NãoÉMenor. A iniciativa convida jornalistas, comunicadores, educadores e famílias a adotarem uma linguagem mais precisa e respeitosa ao se referirem a crianças e adolescentes.

“A linguagem que usamos revela e molda nossa visão sobre infância e adolescência. Abandonar termos que estigmatizam é um gesto simples, mas essencial, para garantir que meninos e meninas sejam reconhecidos e protegidos como sujeitos de direitos”, assinala Miriam Pragita, diretora-executiva da ANDI.

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Não faltam alternativas na língua portuguesa: criança, adolescente, menino, menina, jovem, estudante. Palavras simples, mas que reconhecem a dignidade e a individualidade de quem tem menos de 18 anos.

“Convocamos a imprensa, educadores e toda a sociedade a adotar práticas comunicacionais que respeitem a dignidade das crianças e dos adolescentes. Revisar títulos e optar por termos corretos é uma contribuição concreta para a garantia de direitos”, afirma Ana Potyara, diretora administrativa-financeira da ANDI.

Para aderir à campanha, confira mais informações neste link.

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