Uma década após o surto de Zika, crianças ainda necessitam de cuidados

Veículo: Agência Brasil - BR
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Um estudo multidisciplinar, desenvolvido pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), busca entender as condições em que vivem crianças nascidas com a Síndrome Congênita do Zika Vírus.

Dez anos após o surto da doença, que deixou sequelas graves numa legião de bebês infectados ainda no útero, estudiosos querem saber como a rede de ensino se preparou para receber essas crianças. Muitas delas com microcefalia, complicações neurológicas, visuais, auditivas e necessidades complexas de comunicação, que afetam a qualidade de vida e aprendizado.

A  professora Marcia Pletsch, da Universidade Federal Rural, cita quais as demandas mais urgentes no que se refere ao desenvolvimento educacional e social dessas crianças.

“Neste momento um dos grandes desafios tem sido garantir a implementação de ações de comunicação alternativa e aumentativa para essas crianças, porque a maioria possui necessidades complexas de comunicação”.

Famílias que habitam territórios com baixos índices de desenvolvimento humano e inúmeros problemas sociais são as mais afetadas, como é o caso da Baixada Fluminense, no Estado do Rio de Janeiro.

O estudo, que conta com parceria do governo do estado e de instituições fluminenses, além de apoio de agências de fomento, apurou que a maioria das crianças com Síndrome Congênita do Zika Vírus demanda suporte especializado para a participação nas atividades de ensino.

Em contrapartida, a pesquisa indicou dificuldades das escolas para promover essa integração, já que a maioria dos professores não recebeu formação adequada para intervir pedagogicamente.

Marcia Pletsch destaca a necessidade de programas e políticas para o desenvolvimento educacional integral dessas crianças.

“Nos territórios, nos municípios, de maneira geral, esses programas ainda são planejados muito no sentido da saúde, da assistência social, e não garantindo a participação no planejamento de forma colaborativa da educação, que é um agente importante nesse processo”.

Outra necessidade levantada é a de profissionais de enfermagem para apoio em casos de crises convulsivas ou outras situações que envolvem a condição complexa de saúde dessas crianças.

O surto de Zika atingiu o Brasil entre os anos de 2015 e 2016, e levou à decretação de Estado de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional no país. Com o avanço do quadro, Organização Mundial da Saúde acabou declarando também Estado de Emergência em Saúde Pública de Importância Internacional, sendo o Brasil o país mais afetado.

 

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