Bolsa-Família atrai índios

Veículo: Correio Braziliense - DF
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A instalação de uma agência da Previdência Social no município de São Gabriel da Cachoeira (AM), no fim do ano passado, fez com que os preços disparassem. Do dia para a noite, a cidade foi invadida por milhares de famílias indígenas, atraídas pela promessa de benefícios pagos pelo governo, como o Bolsa-Família, auxílio-maternidade e aposentadoria rural. Quem tinha espaço para alugar faturou alto com o desespero dos que ainda conseguiam pagar por moradia. Os extremamente pobres, por sua vez, acabaram montando barracos às margens e no meio do Rio Negro. Os aglomerados precários evoluíram para pequenas favelas, batizadas de Vila Azul, por causa da cor das lonas improvisadas como abrigo para indígenas. São sintomas de uma cidade que, apesar de rica, não consegue traduzir em desenvolvimento todo o dinheiro que circula no comércio. Quatro anos após a implementação do real, em 1998, apenas 1,2% das residências de São Gabriel da Cachoeira tinha acesso à rede pública de esgoto. Mesmo hoje, essa é uma realidade que não atinge boa parte da população, a maioria indígena, como o lavrador Xavier Durão Riveira, 54 anos.

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