Cesarianas representam 76% dos partos do Ceará

Veículo: Diário do Nordeste - CE
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"Para mudar o mundo, primeiro é preciso mudar a forma de nascer". A frase do obstetra francês Michel Odent toca em um ponto bastante delicado: o nascimento. No Brasil, procedimentos cirúrgicos vêm sendo realizados de forma indiscriminada, fazendo com que a mulher deixe de ser a protagonista do parto para ter o médico como figura central. Ainda não se sabe, porém, qual a repercussão dessa prática no futuro da geração de crianças fruto dessa "epidemia" de prematuros. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o recomendado é que o índice de cesariana seja de 15% dos partos realizados. Elas devem ser feitas somente em casos especiais, para salvar a mãe ou o bebê. No Ceará, entretanto, as cesarianas representam 57% dos procedimentos realizados na rede pública e 95% da rede privada, o que dá a média alarmante de 76% de partos realizados por procedimentos cirúrgicos no estado. Seja por interesse do médico, que agenda a cirurgia conforme lhe é conveniente, ou por opção da própria mulher, que por temer sentir dor muitas vezes acaba optando pela cesárea, procedimentos cirúrgicos foram banalizados no Ceará.

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