Iniciativa global é lançada para selecionar 30 crianças embaixadoras da COP30

Veículo: Exame - BR
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Uma iniciativa articulada pela presidência da COP30 com organizações internacionais quer garantir que as perspectivas de crianças e jovens sejam ouvidas na maior conferência de clima do mundo em Belém

Nesta terça-feira, 26, a Fundação Plant-for-the-Planet, uma das parceiras, anunciou o lançamento de uma consulta pública dentro do Balanço Ético Global (BEG), proposta do governo brasileiro focada na escuta ética e planetária em relação à crise climática e ambiental.

Os diálogos serão conduzidos com crianças em nove países: Brasil, Alemanha, Chile, Colômbia, Índia, México, Nepal, Nigéria e Uganda, e o primeiro encontro acontece no dia 30 de agosto na capital chilena.

As ideias e as perspectivas serão compiladas e enviadas à presidência da COP durante a Semana do Clima de Nova York e nortearão [grifar]a escolha de 30 crianças Embaixadoras da Justiça Climática de Belém para representar a rede global na conferência.

Inspirado no Acordo de Paris, o Balanço Global foi criado para ir além das análises técnicas do progresso climático, focando nos dilemas morais e éticos das mudanças climáticas. Embora a proposta inicial incentivasse a participação de jovens, ativistas e povos indígenas, não mencionava especificamente o público infantil.

Em comunicado, a Plant-for-the-Planet disse que atua com outras instituições para adaptar a proposta do balanço e preencher essa lacuna.

Dentro da lente de justiça climática, as crianças são vulneráveis aos efeitos mais severos da crise do clima, mas devem ser “poderosos agentes de mudança e não apenas vítimas”, destacou a organização.

Em 2024, um estudo pioneiro da Unicef retratou esta vulnerabilidade: mais de 242 milhões de crianças e adolescentes no mundo tiveram suas rotinas escolares interrompidas por causa de eventos extremos.

Justiça climática e direitos humanos

Para Luciano Frontelle, diretor-executivo da Plant-for-the-Planet Brasil, a inclusão das vozes infantis vai além do simbolismo e que o objetivo é explorar questões éticas, de justiça intergeracional e de direitos humanos.

“Estamos transformando um debate técnico em um compromisso profundo e voltado para o futuro que elas herdarão”, disse o executivo à EXAME.

A abordagem é respaldada pelo recente parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça (CIJ), que confirmou a ação climática como uma questão fundamental.

Segundo Frontelle, os diálogos têm como foco criar espaços onde as crianças possam compartilhar suas experiências diretas com os impactos climáticos em suas comunidades e a sabedoria tradicional transmitida por gerações sobre como viver em equilíbrio com a natureza.

“Queremos que elas possam refletir sobre questões morais fundamentais como ‘o que é certo e o que é errado?’, além de apresentar novas ideias e soluções criativas, livres de interesses econômicos ou políticos”, explicou.

Crianças e jovens nas COPs 

Um relatório recente do Instituto Alana com a Laclima analisou a menção a termos como “crianças”, “jovens” e “futuras gerações” nas decisões das principais conferências da ONU sobre mudanças climáticas (COPs), Protocolo de Quioto e Acordo de Paris.

Em relação às “crianças”, houve um salto de apenas duas citações entre 1992 e 2010, para 77 entre 2018 e 2024. Já “juventude” passou de oito para 123 menções no mesmo período.

Além disso, a análise destaca alguns marcos importantes: o reconhecimento da “Youngo” em 2009, sigla oficial da juventude no processo da UNFCC, a criação do Programa de Trabalho de Glasgow sobre Ação para Capacitação com diretrizes para educação climática e participação de crianças e jovens, a formalização do cargo de Jovem Campeão do Clima (Youth Climate Champion) em 2023 e em 2024, a realização do “Diálogo Especializado sobre Crianças e Mudança do Clima”.

Demandas esperadas

A organização antecipa que podem surgir demandas que transcendem recomendações técnicas, priorizando aspectos éticos e sociais como:

  • Educação climática de qualidade nas escolas;
  • Ações urgentes de adaptação nas comunidades mais afetadas, principalmente no Sul Global;
  • Participação efetiva de crianças e jovens nos processos de tomada de decisão climática;
  • Compromissos concretos de justiça climática para proteger os mais vulneráveis;
  • Medidas globais de cooperação intergeracional entre países, empresas e sociedade civil;
Movimento global

Fundada em 2007, a Plant-for-the-Planet nasceu da visão de um menino de 9 anos que mobilizou colegas para “plantar 1 milhão de árvores no mundo visando solucionar a crise climática”. Até então, mais de 100 mil embaixadores da justiça climática foram capacitados em 76 países.

Atualmente, a organização atua com foco na educação de jovens, restauração de ecossistemas e pesquisa sobre restauração florestal.

 

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