O drama dos irmãos de crianças e adolescentes doentes

Veículo: O Globo - RJ
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O menino Morôni Arballo, de 8 anos, sabe que sua irmã Lisa, 17, veio ao Rio de Janeiro (RJ) fazer uma cirurgia "para ficar melhor" Ele também sabe que a operação fez parte do tratamento contra um câncer ósseo na perna. Por isso, o garoto embarcou num avião em Manaus (AM), onde a família morava, rumo ao Rio. Diz estar feliz, mesmo com saudade das brincadeiras com Lisa, que temporariamente depende de cadeira de rodas. Morôni tem outra irmã, Bárbara, gêmea de Lisa, que perdeu aulas e o vestibular em Manaus para ficar no Rio. Um diagnóstico de câncer abala o funcionamento de qualquer família, mas quando o paciente é criança ou adolescente e não é filho único, um aspecto delicado costuma ser eclipsado pelas preocupações mais urgentes dos pais: o estado psicológico dos irmãos não doentes. Uma tese de doutorado em psicologia defendida em setembro na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/Rio) jogou luz sobre o tema, pouco analisado do ponto de vista psicanalítico. A partir dos resultados, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) decidiu elaborar um novo protocolo de atendimento, para incluir esses irmãos, muitas vezes entregues às próprias fantasias. A notícia veio na véspera do Dia Mundial do Câncer, comemorado nesta terça-feira (4).

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