O expurgo dos livros didáticos na Rússia

Veículo: O Globo - RJ
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O expurgo começou no inverno passado. Um por um, centenas de livros didáticos usados por estudantes russos durante anos foram considerados inadequados em 43 mil escolas do país. Um editor viu todas as suas obras didáticas de Língua Inglesa barradas porque ele não havia incluído seus subtítulos na documentação necessária para a aprovação do governo. Depois, houve o caso dos livros didáticos coloridos de Matemática publicados pela educadora Lyudmila G. Peterson, rejeitada por usar em sua obra personagens infantis populares no exterior. Houve, no entanto, um vitorioso Arkady R. Rotenberg, recém-nomeado presidente da editora Enlightenment. Ele é um membro do círculo íntimo do presidente Vladimir Putin, com quem lutava judô na juventude. A Enlightenment sobreviveu quase intocada ao abate promovido pelo Ministério da Educação. O expurgo foi a mais recente manobra do governo para levar a Enlightenment, que foi a única fornecedora de livros escolares à época da União Soviética, ao domínio do mercado. A reconstrução da indústria de livros didáticos da Rússia é marcada por uma sombria trilha de transações. Em teoria, existe concorrência no mercado.

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