Tempo para investigar

Veículo: Revista Veja - BR
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Na métrica oficial, um típico estudante brasileiro passa quatro horas e meia por dia na escola três a menos do que um americano ou um europeu. Essa desvantagem logo na largada se agrava quando se vai examinar como o tempo transcorre na sala de aula. Aí a conclusão é de deixar de cabelos em riste qualquer um que aspire a uma boa educação: pois um terço dessas já minguadas horas costuma se esvair entre a dispersão e a indisciplina, escasseando ainda mais os momentos de aprendizado. Algumas redes de ensino vêm ampliando a jornada de estudos aqui e ali, mas ainda em proporção modesta ante o colossal abismo que separa o Brasil dos campeões apenas 4% das escolas brasileiras do ensino médio funcionam hoje em regime integral. O número tende a se ampliar, é verdade; se cumprida a meta fincada pelo Plano Nacional de Educação (PNE), daqui a uma década a metade dos estudantes terá um turno mais longo. É um investimento alto mas indispensável. Para uma escalada de patamar, porém, será necessário fazer uso verdadeiramente eficiente do tempo. Um conjunto de 182 escolas estaduais de São Paulo tem sido palco de uma experiência que merece atenção justamente por tirar proveito do turno dilatado para sacudir a rotina escolar.

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