Total de crianças que recebe refeição escolar sobe 20% no mundo em 4 anos

Veículo: UOL Notícias - BR
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Pelo menos 466 milhões de crianças em todo o mundo recebem refeições diariamente em escolas. Um estudo mostra que investir em merenda contribui para melhorar o desempenho cognitivo e as habilidades em matemática e alfabetização dos alunos. Os dados são do relatório “O Estado da Alimentação Escolar no Mundo”, publicado hoje pelo WFP (Programa Mundial de Alimentos, na sigla em inglês) das Nações Unidas.

O que aconteceu
  • Quase 80 milhões de crianças a mais receberam merenda escolar entre 2020 e 2024. A África lidera esse avanço, com 20 milhões de crianças a mais, no mesmo período, sendo alimentadas por programas nacionais, com destaque para o Quênia, Madagascar, Etiópia e Ruanda.
  • Refeições escolares contribuem para enfrentar a atual crise de aprendizagem. O relatório indica que há evidências sólidas de que os programas nacionais de alimentação escolar não apenas promovem o bem-estar infantil, mas também melhoram o desempenho cognitivo e as habilidades em matemática e alfabetização.
  • Já havia fortes evidências de que as refeições aumentam a matrícula e a permanência escolar. Mas o estudo das Nações Unidas indica que é um excelente custo-benefício para melhorar a qualidade da educação — muitas vezes com resultados superiores a intervenções tradicionais como capacitação de professores ou tecnologias educacionais.
  • Análise foi feita usando uma medida educacional chamada Learning-Adjusted Years of Schooling (Anos de Escolaridade Ajustados Pela Aprendizagem, na tradução para o português). Medida interpreta como um ano de escolaridade resulta em aprendizagem substancial, de acordo com referências globais. Os resultados em 19 países mostraram que houve uma melhora no desempenho escolar, nas habilidades cognitivas e na aprendizagem, com avanços significativos entre 0,15 a 0,20 no desvio padrão em matemática e alfabetização.
  • Crianças bem alimentadas tendem a ter melhor concentração, maior frequência escolar e menor taxa de evasão. “A nutrição adequada, especialmente em idade escolar, é essencial para o desenvolvimento do cérebro, o que influencia diretamente a capacidade de aprender, reter informações e resolver problemas, isso em qualquer parte do mundo”, explica o diretor do Centro de Excelência contra a Fome do WFP no Brasil, Daniel Balaban.
Benefícios econômicos
  • Investir em merenda escolar também traz benefícios econômicos. Cada US$ 1 investido gera entre US$ 7 e US$ 35. Além disso, o relatório mostra que alimentar 466 milhões de crianças gera cerca de 7,4 milhões de empregos em cozinhas escolares, além de empregos indiretos em logística, agricultura e cadeias de suprimento.
  • Dietas saudáveis são impulsionadas com programas nacionais de compras locais. Esse modelo sustentável promove uma alimentação saudável nas escolas e sistemas alimentares enraizados nas economias locais e nacionais.
  • Alimentação escolar representa, muitas vezes, a única refeição nutritiva daquela criança ao longo do dia. Por isso, Daniel Balaban afirma que incentivar a implementação da alimentação escolar como política pública significa dar um passo importante no combate à fome.
  • Brasil fornece refeições diárias a quase 40 milhões de alunos em 150 mil escolas. O PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar), coordenado pelo governo federal, tem um investimento anual de R$ 5,5 bilhões.
  • Financiamento global para alimentação escolar mais que dobrou em quatro anos. O investimento passou de US$ 43 bilhões em 2020 para US$ 84 bilhões em 2024, sendo 99% desse valor oriundo de orçamentos nacionais. O relatório mostra que as refeições escolares deixaram de ser vistas como ajuda externa e passaram a ser reconhecidas como política pública estratégica para o desenvolvimento nacional.
  • O relatório é lançado na semana anterior à 2ª Cúpula Mundial da Coalizão de Alimentação Escolar. Evento será realizada no Brasil, nos dias 18 e 19 de setembro, reunindo líderes do mundo todo para avaliar os avanços e mobilizar novas ações. A coalizão é uma rede com mais de 100 governos, que impulsiona ações para melhorar e ampliar os programas, garantindo que toda criança receba uma refeição saudável e nutritiva na escola até 2030.

“O relatório revela que elas representam um investimento estratégico no desenvolvimento das crianças e das sociedades como um todo. Está comprovado que os programas de alimentação escolar fortalecem a saúde e o bem-estar dos alunos, melhoram seu desempenho escolar, promovem a equidade e funcionam como uma rede de proteção social fundamental, especialmente para crianças em situação de vulnerabilidade.”
Daniel Balaban, diretor do Centro de Excelência contra a Fome do WFP no Brasil.

 

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