Depois do apoio do Governo do Amazonas, campanha Alerta Vermelho segue para Brasília

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Mais de 55 mil pessoas de todo o mundo serão representadas pela Ampa e Inpa/MCTI na entrega da petição pelo adiantamento da moratória da piracatinga, para evitar a morte de milhares de botos, nesse semestre

A entrega do abaixo-assinado já aconteceu em Manaus, capital amazonense, no último dia 21. O governo do Amazonas e a Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa receberam o documento de três volumes e se mostraram interessados em ajudar os ativistas da Campanha Alerta Vermelho em manter vivo o boto da Amazônia. A campanha luta contra a matança do boto-vermelho (Inia geoffrensis), usado como isca para a pesca da piracatinga.  

“O meu governo apóia integralmente essa campanha. Corta-me o coração vê um animal deste, com uma capacidade cognitiva tão forte, ser morto para poder ser instrumento de captura de outro animal”, lamenta José Melo, governador do Amazonas.

Para o presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Amazonas, o deputado Luiz Castro, sem essa moratória da pesca da piracatinga, muitos botos serão assassinados de agora até janeiro, por isso, faz-se necessária uma atitude imediata. “Primeiramente, nós queremos por um projeto de lei, uma antecipação da moratória, definir que seja proibida a pesca da piracatinga até que se defina um novo modelo de captura desse peixe, sem precisar matar o boto”, reforça.

Abaixo assinado em Brasília

No dia 2 de setembro, as assinaturas chegarão na capital federal do Brasil, para o Ministério do Meio Ambiente. A Associação Amigos do Peixe-boi – Ampa e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – Inpa/MCTI carregam o apelo de mais de 55 mil pessoas de todo o mundo pela conservação dos botos da Amazônia.

“Coletamos 55 mil assinaturas em menos de 40 dias. Estas assinaturas representam a indignação da opinião pública, em relação à matança de botos; que vem ocorrendo nos últimos anos na Amazônia. Estamos vivendo um processo de banalização dos crimes ambientais, como se não fossem crimes de fato. Com uma sociedade informada e esclarecida sobre as questões ambientais, teremos muito mais força para levar esta batalha até o fim.”, ressalta Jone César Silva, diretor da Ampa e coordenador da Campanha Alerta Vermelho.

Sensibilização Ambiental

O boto inflável, que dividiu a praia de Ponta Negra, em Manaus, com os banhistas, em julho desse ano, agora segue para o gramado do Palácio do Congresso Nacional, situado no meio do Eixo Monumental, a principal avenida da capital brasileira. O boto gigante, símbolo da campanha Alerta Vermelho, deverá chamar a atenção para a ameaça à espécie, que serve como isca para captura de um peixe necrófago. Essa atividade pesqueira insustentável, segundo especialistas, pode dizimar a espécie em até 30 anos. 

“Nós não podemos como ser humanos ser tão arrogantes a ponto de achar que nos temos o direito de exterminar animais, populações, e áreas do Planeta Terra. Por outro lado, quando agente extingue uma espécie ou elimina uma área, a humanidade vai ficando cada vez mais pobre. Então, nós estamos empobrecendo nosso próprio patrimônio: a riqueza natural que agente tem. É uma espécie única. Se ela for morta, vai desaparecer para sempre e não há possibilidade de repor”, explica Vera da Silva, coordenadora do Projeto Boto do Inpa/MCTI e idealizadora da campanha Alerta Vermelho.

Pesquisa

Diversos trabalhos foram publicados, incluindo teses de mestrado e doutorado, visando aumentar o conhecimento sobre a espécie e denunciando a matança dos botos. Como a captura do boto é ilegal, ocorre frequentemente à noite, assim como a pesca da piracatinga, e, segundo especialistas, é difícil de obter números exatos da atividade de forma direta. Por isto, as abordagens para se estimar o número de botos mortos são feitas de forma indireta, estimando-se inicialmente a quantidade de piracatinga capturada com a carcaça de um boto. 

Conforme artigo, recém publicado pela pesquisadora do Inpa,Vera Silva; depois, efetua-se uma simples regra de três. Usa-se o volume de piracatinga declarado pelos frigoríficos com o peso de isca necessário para se capturar uma determinada quantidade do bagre. Chega-se  ao número de botos mortos.

“Desta forma: sabemos por entrevistas com pescadores que um boto médio captura cerca de 350 a 1.000 kg de piracatinga em um evento de pesca, dependendo da época do ano, do lugar e da habilidade do pescador. Sabemos também, que nem toda a piracatinga declarada pelos pescadores e frigoríficos são pescadas com a carne de boto. Muitos declaram usar jacaré, outros visceras e restos de peixe liso ou qualquer tipo de animal morto que estiver disponível como isca. Contudo, os pescadores são unânimes em afirmar que a melhor isca é a do boto, pois preferem animais menores e cinza (característica das fêmeas adultas e dos machos imaturos) devido a maior quantidade de gordura sobre os botos grandões e rosas (machos adultos)”, explica Silva.

Informações
Séfora Antela
Assessora de Comunicação
AMPA
– Associação Amigos do Peixe-Boi
(92) 3236-2739 / 9174-2009 / 8802-3520
[email protected]