Violência política faz agressões físicas contra jornalistas aumentarem 34,2%

Violência política faz agressões físicas contra jornalistas aumentarem 34,2%

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A radicalização do cenário político tem afetado seriamente a situação da liberdade de imprensa e da atividade jornalística no Brasil. O número de agressões graves a jornalistas cresceu 34,2% entre 1º de janeiro e 15 de maio de 2023, em comparação com o mesmo período do ano anterior. A invasão dos Três Poderes em 8 de janeiro foi diretamente responsável por esse agravamento – 15,5% dos casos registrados nos primeiros quatro meses e meio do ano aconteceram nesse único dia. Os dados são do novo relatório “Silenciando o mensageiro: os impactos da violência política contra jornalistas no Brasil”, publicado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

Pela primeira vez desde o início do monitoramento sistemático da violência contra jornalistas feito pela Abraji, que começou em 2019, a categoria de “Agressões e ataques” ultrapassou a de “Discursos estigmatizantes”, com uma diferença de 46,8%. Nos últimos quatro anos, profissionais da imprensa brasileira sofreram principalmente com violência verbal e campanhas de descredibilização on-line. Em 2023, os comunicadores se tornaram alvos frequentes de violência física, ameaças graves, atos de intimidação e perseguição e episódios de roubo e destruição de equipamentos de trabalho.

Os principais agressores foram cidadãos anônimos envolvidos em atos antidemocráticos e ataques on-line (48,6% dos casos) – outra grande diferença em relação a 2022, que teve agentes estatais como protagonistas das agressões contra trabalhadores da imprensa.

Mesmo em um contexto de mudanças, gênero continua sendo um ponto de atenção no monitoramento. Do início deste ano até 15 de maio, foram registrados 40 casos de violência contra mulheres jornalistas, cis ou trans, e ataques explícitos de gênero contra pessoas comunicadoras. Isso representa 36,6% dos ataques de 2023. A violência on-line também seguiu como um dos focos da pesquisa: 33% das agressões estavam relacionadas à internet.

O relatório também traz um levantamento inédito do comportamento dos parlamentares do novo Congresso Nacional nas redes sociais. Além de compilar dados sobre as menções e ataques à imprensa em suas contas do Twitter, há uma análise inédita sobre quais são os principais agressores contra jornalistas na rede.

Sobre o relatório

“Silenciando o mensageiro” é a terceira edição do relatório sobre o monitoramento de violência contra jornalistas publicado pela Abraji. A publicação está disponível em português e espanhol.

Diferentemente das versões anteriores, a publicação de 2023 traz dados parciais do ano, com casos registrados entre 1º de janeiro e 15 de maio, e é temática, centrada na violência política que afeta a liberdade de imprensa no Brasil.

A Abraji monitora violações contra a imprensa de forma independente desde 2013. Em 2019, passou a trabalhar com a rede Voces del Sur (VdS), que reúne 16 países da América Latina e do Caribe, registrando seus avanços em direção ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 16.10.1 da Agenda 2030 da ONU. Os dados do Brasil e dos outros países são publicados em Relatórios Sombra anuais preparados pela VdS – contudo, a contabilização de casos nos informes da rede e de seus membros pode variar devido a mudanças na unidade de análise e a outras escolhas metodológicas.

 

Fonte: Abraji

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